MERCADO ONLINE É UM CAMPO PARA APOSTAS

close-up-executiva-digitando-no-teclado-do-computador_1098-684Foi no Bom Fim, um dos bairros mais conhecidos e movimentados de Porto Alegre (RS), que a historiadora Carmen Menezes resolveu abrir sua loja de livros usados. A localização privilegiada em frente ao Parque Farroupilha não foi escolhida por acaso. A grande circulação de pessoas e a fama do local foram identificados como potencial para o negócio. A partir da mesma estratégia, a proprietária resolveu investir em uma nova vitrine para o sebo: o e-commerce.

O comércio eletrônico surgiu como um campo de apostas para quem percebeu o crescimento do uso da internet. A possibilidade de investir nesse mercado online cresceu gradativamente no final dos anos 90, com o maior acesso aos computadores pessoais. Hoje, esse tipo de negócio é acessível a todos e tem potencial para empresas de todos os ramos.

O acervo de mais de 150 mil livros da Traça está disponível no Bom Fim e também no site. Crédito: Bárbara Barros
O acervo de mais de 150 mil livros da Traça está disponível no Bom Fim e também no site. Crédito: Bárbara Barros

O pioneirismo de Carmen, que teve início nos anos 2000 no meio digital, é lembrado com orgulho: ela já está no setor de venda de livros desde 1986 e participa há 25 anos da tradicional Feira do Livro da capital gaúcha. Mas o diferencial, para ela, foi começar a atender o Brasil inteiro através da internet, onde ainda nos dias atuais muitas empresas não oferecem um serviço de qualidade aos clientes.

“A Traça é um dos poucos sebos que tem site na internet que dá endereço, telefone e não se esconde atrás de um nome”, garante Carmen, que faz referência aos sebos que não dispõem informações essenciais como dados da administração para o consumidor.

Além da loja virtual, a Traça disponibiliza o acervo também na Estante Virtual, site que hoje reúne sebos e livrarias de todo o país. Só o serviço online é responsável por 60% do faturamento em vendas da Traça.

Esse tipo de negócio na rede mundial de computadores gerou também um novo tipo de consumidor, que resulta em números cada vez mais expressivos para o mercado. No primeiro semestre de 2014, o comércio eletrônico brasileiro cresceu 26% em relação ao mesmo período do ano anterior (R$ 16 bilhões superou os R$ 12,7 bilhões de 2013), segundo o relatório WebShoppers.

A análise é realizada semestralmente pela E-Bit, empresa referência no e-commerce brasileiro, que confere às lojas virtuais certificações baseadas em avaliações de compradores. A previsão é de que o faturamento deste ano chegue a R$ 35 bilhões gerados por mais de 60 milhões de consumidores.

Para o Rio Grande do Sul, a Fundação de Economia e Estatística (FEE), que trabalha com base em dados similares aos do IBGE, não soube informar o movimento do setor. O motivo para a falta de informações sobre esse novo tipo de economia, segundo o economista da FEE Jorge Accurso, se dá pela entidade ainda não ter realizado pesquisas de campo relacionadas.

Empresas orientadas pela legislação são as mais preparadas para receber novos consumidores e assim aumentar o lucro

Tamanha adesão de compradores se reflete na diferença relatada do faturamento das empresas entre o meio físico e o virtual. Na Floricultura Ideal, por exemplo, um dos administradores da empresa, Cristiano Pohren, investiu no e-commerce após o negócio estar consolidado por 34 anos em Novo Hamburgo (RS).

O mercado online é democrático e oferece espaço para a venda de todos os tipos de produtos. Foto: Bárbara Barros
O mercado online é democrático e oferece espaço para a venda de todos os tipos de produtos. Foto: Bárbara Barros

Desde 2009, a floricultura trabalha em busca de novos clientes e já alcançou lucro de 20% apostando no serviço da loja virtual. Para os que já frequentavam o estabelecimento, o acesso através da internet trouxe comodidade. “Criamos [o site] com o intuito de aproximar as pessoas. Nos chamou a atenção a demanda que poderia existir já que na época haviam poucas floriculturas nesse mercado”, elucida.

Assim como é possível comprar livros usados, ornamentos para jardins, flores e outros produtos, podemos encontrar de tudo na web. Por isso, as empresas devem cumprir regras previstas na legislação para proteger o consumidor e evitar que o mesmo tenha problemas na compra.

O advogado, consultor jurídico e professor de Direito Civil da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Fabiano Menke cita o cumprimento do Decreto nº 7.962/2013, de contratação eletrônica, bem como o Código de Defesa do Consumidor como medida importante para o sistema operar legalmente.

Existem outras regras relativas à proteção de dados pessoais também estabelecidas de acordo com o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965 de abril de 2014).

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Quanto mais segurança, mais consumidores

A certificação de que a loja virtual é confiável, no entanto, vai da cautela do próprio usuário que estiver realizando a compra. “A pressa pode ser um erro grave. É preciso ter paciência para obter informações sobre o fornecedor, sobre o próprio produto e para buscar preços e condições melhores”, adverte Menke. Algumas vezes o preço é mais baixo, mas o valor do frete é consideravelmente mais caro ou a entrega é mais demorada tendo em vista a localização física da loja.

E a favor do consumidor, de acordo com o advogado, nos próximos meses deve ser aprovada uma atualização do Código de Defesa, que tornará ainda mais forte a proteção do usuário da Internet. “A partir dessa alteração, entre outras mudanças, será reforçado o direito de arrependimento das compras feitas no comércio eletrônico”, aposta.

A prevenção a fraudes é recomendada pelos especialistas pelo motivo de que qualquer pessoa pode se converter em um vendedor nos dias atuais. Por isso, Raul Webber, professor de Segurança em Sistemas de Computação da UFRGS, aconselha as empresas e seus consumidores a prestarem a devida atenção ao Certificado Digital do site acessado enquanto é realizada a venda/compra.

A certificação pode ser conferida no endereço (URL do navegador): as conexões inseguras iniciam por http, enquanto que conexões seguras e confiáveis iniciam por https (S de segurança).

“É essencial para que os navegadores estabeleçam uma conexão segura, e portanto, para que os clientes confiem na loja”, explica Webber, considerado a maior autoridade em criptografia no Rio Grande do Sul pela UFRGS.

Crescimento não depende da interface

Mas como atingir o sucesso no e-commerce? Segundo Webber,  isso não acontece pelo sistema ou pelo aspecto do site, mas quando a loja consegue ganhar a confiança dos clientes: “são as técnicas administrativas e de relações públicas da loja que vão conseguir isso, como tratar bem os clientes e resolver de forma eficiente os problemas”.

Após abrir a loja virtual, o próximo passo é torcer para que o sistema fique sobrecarregado e caia. Isso porque, para Webber, esse é o sinal de que o negócio foi bem sucedido, pois a necessidade da instalação de mais servidores só acontece para cobrir a alta demanda de pedidos eletrônicos. A sobrecarga acontece tipicamente com empresas conhecidas do mercado online como a Amazon.com.

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Os bons resultados, entretanto, não devem significar o fim das lojas físicas e muito menos a restrição de acesso aos produtos apenas pela internet. Mesmo com a boa experiência, a proprietária da Traça não pensa em fechar o negócio no Bom Fim e ficar só no online. “É um ponto de referência e é importante ter contato com o cliente, assim ele se sente mais seguro”, confia Carmen. Se essa tendência irá continuar não se sabe, mas a preocupação agora é não deixar para trás o público que ainda não migrou para o digital.

Os passos para oferecer um serviço seguro

Para empreender e instalar uma loja em um ambiente virtual, de acordo com o professor, não existe um conjunto de regras a seguir, mas um procolo básico que requer um planejamento específico.

1. Registrar um nome para a loja (algo do tipowww.nomedaminhaloja.com.br). Isso pode ser feito junto ao site registro.br ou junto a um provedor de Internet. O nome deve estar disponível (ou seja, não foi usado por outra empresa) e deve ser algo fácil do público lembrar.

2. Adquirir vários computadores, para instalar os serviços da loja virtual, ou então alugar este serviços de provedores ou empresas especializadas. Adquirir todo o equipamento normalmente não é uma coisa aconselhada para uma empresa de pequeno porte, pois vai envolver um
custo elevado. Para empresas pequenas, a melhor opção é alugar o serviço e criar um servidor virtual.

3. Em termos de programas, é necessário ter um Servidor Web, para disponibilizar as páginas e um sistema de Banco de Dados, para armazenar os produtos disponíveis, estoques, cadastro de clientes, pedidos, etc. O Servidor Web deve ser bem projetado, e ter um design que agrade aos clientes, enquanto que o Banco de Dados deve ser seguro, para evitar problemas com hackers e invasores.

4. Para realizar comércio eletrônico, é necessário ter um Certificado Digital (Digital Certificate), para permitir compras seguras e garantir que o cliente não vai ter seus dados furtados durante uma compra. Esses certificados sã obtidos junto a empresas especializadas, e normalmente devem ser renovados anualmente. Também é necessário verificar com operadoras de cartões de crédito, bancos e outros sistemas para ver quais opções de pagamento serão oferecidas aos clientes.

A nova  moeda do mercado digital 

A adesão ao e-commerce refletiu também na criação de uma moeda própria para o universo da internet. Em 2008, o desenvolvedor Satoshi Nakamoto foi conhecido como o criador do bitcoin, uma moeda digital criada após a crise financeira que atingiu os Estados Unidos. Segundo o site da revista Exame, as transações são anônimas e criptografadas, o que confere alguma segurança aos usuários envolvidos nos processos. O principal objetivo é a falta de controle da moeda, ou seja, que ela não seja vinculada a um determinado banco ou empresa que enriqueça sozinha. Em fevereiro de 2013, 1 bitcoin custava 20 dólares e logo mais, teve valorização de 50%, chegando a atingir 30 dólares. O valor, no mesmo ano, chegou ao recorde de 266 dólares. A cotação favorável, no entanto, não é consagrada e pode ser instável assim como as cotações para o real e o dólar.

#Reportagem de Bárbara Barros e Letícia Bonato produzida para a disciplina de Jornalismo Econômico do curso de Jornalismo da UniRitter.

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