A ECONOMIA QUE NASCE DO NEGÓCIO FAMILIAR

Da produção à venda, pequenos produtores do Rio Grande do Sul contam como o campo se tornou sua fonte de renda

foto-1-cougoEsposa, marido e lã podem ser os ingredientes suficientes para criar o próprio negócio. Foi assim que Marilu dos Santos virou uma empreendedora do ramo de lã do Rio Grande do Sul e participou da maior feira de agropecuária da América Latina, a 37ª Expointer. Após perder sua casa, onde morava há 15 anos, na Vila Dique, em Canoas, para a construção da Rodovia do Parque (BR-448), foi morar com a família em Caçapava do Sul, na Região da Campanha. O município era o único lugar para onde tinha condições de mudar devido ao valor da indenização que recebeu da prefeitura. A mudança, além de causar dificuldade, levou ela e o marido a embarcarem na agroindústria familiar.

Hoje, por causa do negócio, a vida de Marilu “melhorou 100%” e seu rendimento diário chega a três mil reais com a venda de tapetes, artesanatos e roupas em geral feitas com a matéria-prima retirada de ovelhas. “Eu não trabalhava, fazia artesanato, pintura em tecido e pano de prato. Ele (o marido) trabalhava na AES Sul, mas saiu. Aí a gente começou a trabalhar com lã. Os primeiros dois anos foram difíceis, mas agora tá ótimo”, comemora.

Marilu e sua família viram um novo empreendimento na lã. Crédito: Leandro Cougo
Marilu e sua família viram um novo empreendimento na lã. Crédito: Leandro Cougo

O empreendimento da artesã fez parte da 16ª Feira da Agricultura Familiar da Expointer de 2014, e somou seu trabalho aos 200 estandes de famílias que produzem queijos, vinhos, sucos, salames, doces, cachaças, mel e artesanato. Assim como ela, Liziane Ferreira, de Cambará do Sul, região dos Campos de Cima da Serra, expôs na feira o produto que traz o sustento da família. “Lá é muito produtivo o mel. A gente gosta do negócio, ama o que faz e vive do campo, então tem que aproveitar o que temos. Se a população seguisse 50% da organização das abelhas, o mundo seria outro”, especula Liziane.

Por ano, a família de Cambará produz até dez toneladas do doce, e arrecada cerca de dois mil reais mensais. Na Expointer, em apenas três dias os produtores atingem o rendimento usual, com aproximadamente 600 reais entrando no caixa a cada dia. “Na feira, o público é muito maior. Tu vendes o teu produto e a tua imagem”, constata.

Famílias participam da Expointer para mostrar seu trabalho para um novo público. Crédito: Leandro Cougo
Famílias participam da Expointer para mostrar seu trabalho para um novo público. Crédito: Leandro Cougo

Anita e Gilberto Possamai são os atuais produtores da Cachaça Princesa do Arroio, produzida e vendida no munícipio de Selbach. Desde 1930, a bebida está na família e já passou por três gerações. A família participa da Expointer há seis anos e possui clientes fixos que visitam a banca por causa da qualidade do produto e das degustações. “Sempre tem uma provinha, eles tomam e veem que é boa”, garante Anita, que com a venda da cachaça contribuiu para os mais de dois milhões adquiridos pelas agroindústrias familiares presentes na feira. O setor foi o único que superou os valores de vendas da edição anterior da Expointer.

Produtos vendidos na feira passam por verificação da qualidade

Os estandes em exposição no pavilhão da agricultura familiar são organizados pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag/RS). Mas antes de chegar à Federação, o produtor precisa do aval do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, que determina conforme a demanda quais são as famílias que irão representar o setor do Estado na Expointer. “Fazemos contato com o sindicato, mandamos as fichas e eles fazem a inscrição. Depois, nos é remetido e um grupo faz a análise de cada cadastro, pois todos os produtos que estão aqui necessitam de certificação”, explica a secretária-geral da Fetag/RS, Elisete Hintz.

A qualidade dos produtos é o principal item analisado na hora de escolher quem entra e quem sai da feira. “Não existe aquele produtor que acha que está fazendo agroindústria e vem pra cá. Não, ele precisa seguir todas as regras para ter certificação e estar dentro dos padrões porque o consumidor que vem aqui é exigente, como aquele que vai ao supermercado”, alerta Elisete.

O processo adotado pela Fetag/RS garante o sucesso da feira da agricultura familiar. Em sua 16ª exposição, o pavilhão foi o único a alcançar um fechamento maior do que na edição anterior. Em 2014, o setor faturou 33% a mais do valor comercializado, em relação ao ano passado. Foram cerca de dois milhões, frente a pouco mais de um milhão e meio de reais. Os números confirmam o crescimento da procura por produtos feitos a partir do campo e garantem a participação das famílias do setor na maior feira agropecuária da América do Sul.

Texto: Leandro Cougo e Letícia Bonato
Produção para a disciplina de Jornalismo Econômico da UniRitter.

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