JORNALISMO CONTRACORRENTE

Independente ou alternativo, a definição é o que menos importa. Os movimentos culturais porto-alegrenses, o viés crítico da política atual e outras abordagens pouco exploradas pela grande mídia são algumas das características dos jornais Jornalismo B, Tabaré, Opa! e da revista Bastião. Os periódicos são distribuídos gratuitamente em centros culturais, faculdades, bares, e, aos poucos, têm conquistado mais leitores e estão aceitando assinaturas.

Para o jornalista Jimmy Azevedo, repórter de rádio há doze anos e um dos coeditores do jornal mensal Tabaré, o trabalho desenvolvido em uma produção alternativa traz a possibilidade de o repórter exercer aquilo que gosta com mais criatividade: “É trabalhar com os aspectos literários da pauta, as nuances humanas, fazendo com que a reportagem ou o texto se tornem parte do espaço e atemporais”. Para ele, o jornalismo alternativo é marginal: “chamo-o de marginalismo. É como abrir outras perspectivas de reflexão no leitor e em si próprio”, diz.

O Jornalismo B, oriundo de um trabalho acadêmico feito na Fabico (UFRGS), em 2007, é um blog que possui sua edição impressa há três anos. Segundo o editor Alexandre Haubrich, a função que o jornal exerce é a de desconstrução do discurso da mídia dominante, a favor da democratização da informação. “Enquanto o primeiro (jornalismo dominante) depende do capital, das grandes corporações, da desregulação do setor e das verbas estatais, o jornalismo contra-hegemônico depende do leitor, a quem serve”.

Conhecido como um dos precursores do jornalismo alternativo gaúcho, Elmar Bones da Costa afirma que o trabalho de todo jornalista depende de quem o lê. “Minha preocupação sempre foi com o público, nós trabalhávamos para o leitor”, diz, comentando também sobre sua atuação na década de 70 através do Coojornal. Hoje, atrela a importância do trabalho do jornalista com o de um funcionário público: “O jornalista é detentor da fé pública, essa é uma profissão que depende de que as pessoas aceitem que falemos de suas vidas”. Bones alerta ainda para a influência dos grandes grupos de comunicação na formação de opinião: “estamos em uma fase de transição para a democratização da informação. Nosso mercado é um paradoxo, cada vez mais encolhe e devemos romper com isso”.

A fidelidade com os leitores, segundo Alexandre Haubrich, é construída através da constância e da qualidade do trabalho. “Temos a vantagem da maior aproximação com a realidade, e para mantermos essa qualidade precisamos estar sempre dispostos a ouvir e a sentir as respostas que recebemos. Abrir mão disso é abrir mão de ser um instrumento de transformação”, conclui.

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