Justiça feita?

vladimirherzogNeste mês de março, um grande passo foi dado em nome da transparência na história do Brasil. Na tarde do último dia 15, foi entregue à família do jornalista Vladimir Herzog, um novo atestado de óbito que esclarece os motivos de sua morte, ocorrida durante o obscuro período da ditadura militar.

O novo e definitivo documento substitui a versão de 1975, que alegava como motivo da morte do jornalista “asfixia mecânica por enforcamento” (suicídio). O atestado foi deferido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), por iniciativa da Comissão Nacional da Verdade, que busca esclarecer os fatos ocorridos na história do país entre as décadas de 40 a 80. Ainda que as suspeitas do assassinato tenham sido vingadas com o documento, somente a razão de ter sido morto por “lesões e maus-tratos sofridos durante o interrogatório nas dependências do Segundo Exército (DOI-Codi)” não traz satisfação à família. “A nossa luta continua porque a gente quer ainda que sejam investigadas quais as circunstâncias da morte do meu pai”, afirmou Ivo, filho do jornalista, conforme notícia divulgada no portal de notícias G1.

“Vlado”, como era chamado por sua família, amigos e colegas de trabalho, após ser intimado por policiais que procuravam esclarecimentos sobre a suposta influência comunista na TV Cultura, onde o jornalista exercia o cargo de diretor de Jornalismo, se apresentou ao órgão do Exército conhecido por reprimir e torturar opositores do governo na época, o DOI-Codi. De lá, o jornalista não saiu com vida.

Formado em Filosofia pela USP, Vladimir Herzog iniciou sua carreira no Jornalismo em 1959, como repórter do jornal O Estado de São Paulo. Com o reconhecimento de seu trabalho, passou pelos cargos de redator e chefe de reportagem, ainda no Estado, foi editor cultural da revista Visão, e, antes de participar da TV Cultura, trabalhou na extinta TV Excelsior. Além disso, era também professor e um apaixonado por cinema.

 “VLADO NÃO ERA UM POLÍTICO”

 O jornalista e escritor Zuenir Ventura era um grande amigo de Herzog e sua família. Em um dos capítulos de seu livro “Minhas Histórias dos Outros”, de 2005, comenta que recebeu a notícia do assassinato através de um telefonema de Clarice, esposa de Vladimir. Em tom de inconformismo, escreve também que raramente a conversa dos dois chegava à política, antes preferiam abordar temas culturais. “Vlado não era um político, um militante, não usava a profissão para fazer contrabando ideológico, uma tentação daqueles tempos de sufoco que, por não se respirar, procurava-se em qualquer lugar um pouco de ar”, afirma o jornalista em seu livro.

Texto publicado em: UNIPAUTAS

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