As Aventuras de Pi e sua polêmica popularidade

claquete1_fotofacebookComo sabemos, a temporada de férias de verão no Brasil é quando a maior parte dos filmes nomeados ao Oscar estreia nos cinemas de todo o país. Um dos indicados deste ano que arrebatou quatro estatuetas, o filme As Aventura de Pi, do diretor Ang Lee, nos apresentou uma jornada fantástica e emocionante, carregada de efeitos visuais.

O filme concorreu em onze categorias da premiação, mas venceu somente as de direção, trilha sonora, fotografia e efeitos visuais. Para os que já assistiram ao filme, era óbvia a predileção de Pi pela conquista da categoria técnica de melhores efeitos visuais. Ainda que não tenha assistido em uma sala 3D, passei as duas horas de duração do filme abobalhada com aquela adaptação minuciosa da obra literária do escritor canadense Yann Martel.

No entanto, durante e após a premiação, soube de notícias acerca de protestos que aconteciam simultaneamente ao Oscar. Os envolvidos na indústria de efeitos visuais (conhecida como VFX, visual effects, em inglês), foram às ruas para protestar sobre a dificuldade do mercado atual. Segundo eles, Hollywood não reconhece o trabalho desses artistas e tem buscado mão de obra barata em empresas estrangeiras para realizar seus filmes. Os protestos estenderam-se também sobre as redes sociais, onde os artistas e simpatizantes à causa usam avatares na cor verde em lugar da foto pessoal em seus perfis, simbolizando o chroma key, plano de fundo em que essa arte tecnológica é desenvolvida.

Em protesto, cartaz simplifica a importância dos efeitos visuais em filmes com os dizeres “Nós fazemos o Hulk INCRÍVEL! Nós fazemos o Homem Aranha ESPETACULAR!”. Foto: Jeff Heusser via Flickr
Em protesto, cartaz simplifica a importância dos efeitos visuais em filmes com os dizeres “Nós fazemos o Hulk INCRÍVEL! Nós fazemos o Homem Aranha ESPETACULAR!”. Foto: Jeff Heusser via Flickr

A própria empresa Rhythm & Hues, demandada a fazer As Aventuras de Pi e responsável também pelos efeitos visuais de outros filmes, como Jogos Vorazes, Branca de Neve e o Caçador, X-Men: Primeira Classe entre outros, declarou falência dois meses antes da premiação do evento. A situação gerou polêmica na indústria cinematográfica, pois os artistas alegam não terem recebido o pagamento devido para fazer os efeitos do filme vencedor.

Além dos protestos que ainda incomodam Hollywood, no âmbito literário, as especulações de dez anos atrás sobre o possível plágio que Yann Martel (autor de As Aventuras de Pi) fez sobre a obra do gaúcho Moacyr Scliar (Max e os Felinos), é outro fator que contribuiu para a popularidade do filme no sul do país.

Texto publicado em: UNIPAUTAS

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