O olhar de quem conhece o transporte público

Cobrador de ônibus revela as calamidades diárias que enfrenta na cidade

Seu cotidiano é similar ao de muitos brasileiros: o dia começa cedo, às 5h, horário em que acorda para ir à faculdade estudar Letras, e, depois do meio-dia, tem um intervalo de somente duas horas e meia para começar a trabalhar. O cobrador de ônibus brasiliense, Abdias dos Reis Mendes, enfrenta viagens turbulentas no transporte público do Distrito Federal ao longo de sua semana, assim como os que utilizam esse meio de transporte na cidade.

A região possui uma das tarifas de transporte público mais caras do país. O custo da passagem de ligação de uma cidade satélite ao centro de Brasília custa três reais, mesmo valor aplicado ao estado de São Paulo, que possui um número imensamente maior de habitantes (41 milhões) que o de Brasília (2 milhões). Valor este que não garante o conforto dos passageiros e trabalhadores do transporte público da cidade: “Os ônibus quebram em pleno percurso, causando desconforto e também engarrafamentos e atrasos para toda a população”, declara Mendes. Há denúncias de que empresas de transporte da cidade desobedecem à lei de troca de carros no período de sete anos, havendo, assim, acidentes e precariedade nos trajetos.

Segundo o Correio Brasiliense, 80% da população de Brasília presencia a calamidade do sistema de transporte. O próprio Mendes que nunca foi assaltado em coletivos, afirma que vive inseguro no seu dia a dia: “Houve um caso que o motorista morreu com um tiro ao reagir a um assalto. Reações não são previstas, mas se fosse assaltado reagiria com tranquilidade pra não deixar os infratores mais nervosos que já estão”, adverte.

Ainda há espaço para o bom humor

A demora nos horários de ônibus da cidade traz inquietação aos cidadãos brasilienses, refletindo em comportamentos repreendidos pelo cobrador Mendes. “Mesmo que sofra agressões verbais e tenha que enfrentar má educação, tento cativar meus passageiros sempre com uma saudação de bom dia ou até mesmo com um sorriso. Gosto do meu trabalho, apesar das adversidades que nele há”, afirma o trabalhador.

Texto realizado para a disciplina Jornalismo e Mídias Digitais, professor Rodrigo Rodembusch.

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