Akira Kurosawa em “Sonhos”: reflexão sobre a modernidade

Ao sentarmos para assistir obras de diretores de cinema que são conhecidos do público em geral, já sabemos que a experiência trará reações: sejam elas boas e presentes ou ruins e nulas. Mas e ao escolhermos um filme diferenciado, sem todo o apelo midiático ou do conhecimento da massa?

Nesta semana trouxemos isso, procuramos escolher um diretor fora dos holofotes ocidentais. Escolhemos um daqueles filmes em que nos deparamos com situações e culturas diferentes, onde muitas vezes somos provocados a ter uma maior criticidade enquanto assistimos. “Yume” (Sonhos), do diretor Akira Kurosawa nos possibilita isso.

O filme é da década de 1990, e uma das últimas obras do cineasta que morreu aos 88 anos. A produção entre Japão e Estados Unidos é composta por oito capítulos, que são sonhos. A parte designada pelo Japão, em si, vemos em todo o filme, que apresenta características orientais. Já a outra parte, americana, fica reservada pela participação de nada menos que Martin Scorsese em um dos sonhos, interpretando o pintor Vincent Van Gogh.

Após uma longa introdução, os sonhos começam. Separados e independentes entre si, eles ressaltam a cultura oriental natural do diretor. Nesses sonhos é abordada a curiosidade, a morte, a bomba atômica e a importância da natureza; elementos que são colocados de maneira pouco subjetiva quanto são sonhos comuns. Para muitos, o longa pode servir como um sonífero, ainda mais para quem não está acostumado a assistir obras reflexivas. Mas para outros, essa reflexão é retratada de maneira como a própria cultura oriental, que é densa e cheia de elementos exclusivos, rica em significados de histórias e tradições.

Em contraponto, se compararmos com grandes sucessos do diretor, podemos perceber que o próprio estava engajado em fazer um filme com características muito pessoais, mas sem deixar o público por fora do contexto. Numa sincronia diferente das obras anteriores, como “Os Sete Samurais”, de 1954, vemos que o imaginário não é tão abordado quanto em “Sonhos”. Nesse, a cultura oriental ainda é presente, e, com o filme, Kurosawa trouxe ao mundo a história dos samurais, os grandes guerreiros do Japão do século XVI.

Ainda se pensarmos sobre valores estéticos equivalentes à realidade, “Sonhos” apresenta um Japão em transição. O desenvolvimento do homem e as novas tecnologias em confronto com as tradições, então contestadas principalmente no último capítulo, “A Aldeia do Moinho de Água”. O oitavo sonho nos provoca a observar e analisar junto ao diálogo das cenas, questionando se o caminho que o homem está tomando em frente a essa evolução é um ganho para o ser humano.

Texto publicado em: UNIPAUTAS

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