A Onda: experimento baseado no nazismo

Há 45 anos, o professor de história de uma escola de ensino médio americana, Ron Jones, decidiu apresentar aos seus alunos uma maneira diferente de se aplicar o conteúdo de sala de aula. O experimento, chamado The Third Wave, tinha como objetivo demonstrar aos estudantes as raízes do fascismo.

Não sabia ele, mas os fundamentos aplicados em aula originariam posteriormente um livro, escrito pelo próprio, um curtametragem americano e um longametragem alemão. E tudo isso começou quando Jones mobilizou seus alunos de forma unificada. Usando de perguntas e dinâmicas, ensinou sobre como ditaduras eram aplicadas, instigou o fascínio dos estudantes pelo método, e, tão rapidamente, estavam todos engajados e uniformizados, até mesmo representados por um símbolo e também um cumprimento (a exemplo de Heil Hitler!). Os problemas vieram assim que o grupo começou a encarar o aprendizado com mais seriedade, levando-o para seu cotidiano, dentro e fora da escola.

A essência disso foi captada no curtametragem “A Onda” (The Wave), do canal ABC e dirigido por Alexander Grasshoff , de 1981. Neste, podemos assistir com clareza como se condicionou a lavagem cerebral dos alunos. A partir do vídeo, vemos com facilidade que já na primeira aula eles incorporam sem muitos questionamentos o comportamento ditado pelo professor. E, em seguida, o próprio se surpreende quando ao chegar à sala de aula se depara com os estudantes disciplinados. Ao designar o coro do grupo, “Força através da disciplina/ Força através da comunidade/ Força através da ação”, o professor deixa claro o envolvimento dos alunos em torno do ideal implantado.

Entretanto, algumas pessoas que assistiram ao curta americano devem ter se perguntado sobre como esse experimento seria empregado na atualidade. Ou seja, os adolescentes aceitariam a dinâmica com tamanha facilidade, sem questionamentos, desatenção e violência? Dennis Gansel, trazendo a história para a Alemanha pós-moderna nos responde a questão. “A Onda” (Die Welle), com cenas envolvendo festas, bebidas e drogas, além do uso de tecnologias e demarcando os estereótipos dos adolescentes da atualidade, nos mostra todas as possibilidades que talvez tenhamos imaginado. O longa trabalha todo o processo de envolvimento dos estudantes no grupo, ressaltando alguns detalhes que Grasshoff deixou passar despercebidos. E, além disso, nos apresenta um novo e surpreendente final.

Texto publicado em: UNIPAUTAS

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